Páginas

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Relato da travessia da Serra dos Órgãos de 20 a 23 de Abril



  • Primeiro dia - Logística Até o Hostel

Estavamos em 14 amigos do Grupo Cachorro do Mato para a travessia. Todos muito empolgados, o pessoal chegou pontualmente ao local combinado de coleta, assim que ajeitamos as coisas na van já partimos para uma viagem prevista pelo google maps numa média de 12hs. Como saímos às 6hs da manhã de Joinville o previsto seria chegar perto das 18hs se andassemos sem parar. Contando mais paradas etc estimamos como uma viagem de 14hs, chegando ao hostel próximo das 20hs. Uma surpresa aqui foi que o motorista estava abaixo da média prevista e isso nos aumentou em 01:30 a ida, chegamos ao Hostel 21:30.
A estrada de acesso à região do Parque nos causou estranheza, era bem estreita e mal iluminada, chegou a causar alguma apreensão em todos...
Bem cansados dessa logística, procuramos um local para nos abrigar, alguns lancharam e logo estavamos bivacando em uma grande área aberta, como se um galpão crioulo com o pé direito de uns 6 metros. A armação do telhado era feita de madeira tratada, esta estalagem tinha um ar rústico e ficava no sopé das montanhas da região. O meu sono pelo menos foi rápido e intenso, parece que cochilei alguns minutos, quando vi já estávamos todos acordados... 

A imagem pode conter: montanha, céu, atividades ao ar livre e natureza


  • Segundo dia - Caminhada até o Açú

Durante a noite esfriou um bom tanto, o café da manhã foi mediano, nada de muito espetacular, pelo menos o café estava bem quente. Ao terminar rapidamente empacotamos os itens finais e nos agrupamos na saída do Hostel para uma foto e partir para a caminhada. A partir do Hostel se via uma formação rochosa muito bonita que segundo o dono do Hostel tinha uma via de escalada, olhando para o mapa de referência da região e a nossa track feita, me dá a impressão de ser o pico do Mamute, à confirmar.

Partimos às 8hs da manhã, fizemos o check in no parque e em 40 minutos de caminhada estavamos na bifurcação para a cachoeira véu de noiva e gruta Getulio Vargas. Em torno de 30 minutos ocorreu visita no local e partimos para a próxima parada a Pedra do Queijo. O mirante estava neste momento limpo e pudemos ver desde o mamute até a Isabeloca em quase 360 graus de visão límpida das montanhas, foi encorajador! Dali mais uns 40 minutos estavamos no Ajax nesse momento fizemos uma pausa para tomar água e lanche rápido. Como estavamos em um grupo de 14 pessoas estavamos em dois membros conduzindo a caminhada um procurando dar mais fluidez ao grupo e puxando a caminhada e um segundo fechando a trilha para mantermos uma unidade, ninguém é deixado sozinho. Em torno de 1 hora de caminhada chegamos na Isabeloca, aqui foi o ponto de uma longa parada de mais de uma hora para lagartear olhando 360 graus com um forte e bem vindo vento. Revisitando a viagem esse foi o ponto alto em termos de visão, conforto e bom tempo. Dali até o abrigo Açu fomos em aproximadamente 30minutos, bem tranquilo.

Ao chegar no castelo a bela vista de chegada da formação rochosa nos faz relaxar e apenas pensar em montar acampamento e relaxar. Chegamos super cedo para armar acampamento, às 16hs da tarde todo o grupo já estava abrigado e procurando explorar cada vista possível. Subimos a pedra com corda que dá visão ao leste, pudemos dali ver Desde a Pedra do Sino até o Dedo de Deus e bem mais ao leste os Três Picos de Nova Friburgo. Até boa parte dos morros da capital carioca como Pão de Açucar, Arpoador, Tijuca estavam visíveis.

Neste momento pensei com uma pequena parte do grupo em fazer um ataque aos Portais de hércules, fomos desencorajados pelos zeladores do abrigo. Eles acharam que poderíamos ter problema ao navegar por lá correndo risco de escurecer etc. Revendo a viagem, acho que fizemos uma boa escolha no pôr do sol fomos ao mirante cruzeiro virado a Oeste, estava um show de luzes, porém com intervalos de nuvens. Esperamos assim pegar tempo bom nos Portais que é virado para leste e deveria ser melhor de observar o nascer do sol ou ele logo cedo.

Acampamos próximos de um grupo de senhores sul coreanos que andavam super bem, eles estavam com cargueiras mais leves mas não tiro o mérito andavam super bem e como se dava bem aquele grupo a todo momento berrando, brincando, cantando, orando alto, no por do sol que viram a cada mudança da tonalidade do sol eles falavam um uníssono "ohhhhhhhhhhhh!", realmente um show caminhar com gente animada assim.

Fomos dormir com o céu estrelado e apesar da previsão do tempo ser da entrada de uma frente fria essa noite estrelada me fez dormir com alguma esperança de ver um lindo amanhecer nos Portais.



A imagem pode conter: montanha, céu, atividades ao ar livre e natureza


A imagem pode conter: céu, nuvem, montanha, atividades ao ar livre e naturezaA imagem pode conter: atividades ao ar livre e naturezaA imagem pode conter: nuvem, céu e atividades ao ar livre
  • Terceiro dia - Caminhada até o Sino

O céu estrelado que vimos ao deitar se transformou com a chegada da frente fria. Durante a noite ainda ouvimos rajadas fortes de vento e alguma chuva. Desarmar acampamento com chuva é chato, você vai andar com coisas molhadas durante o dia todo e mesmo se não estiver chovendo ao armar o novo acampamento vc tem chance de ter umedecido ou molhado outros itens.

Desarmamos acampamento com tempo nublado e cara de chuva, bastante serração. Às 8hs da manhã começamos a caminhada em direção a Pedra do Sino.

Chegamos em aproximadamente 1 hora ao Morro do Marco e bifurcações para os Portais, o trecho do segundo dia num geral envolve bastante pedra e trechos de sobe desce. Como estava nublado a gente decidiu não entrar para os Portais.

Rumamos em direção a mais um vale e subida dessa vez ao morro da Luva.  Depois desse trecho tem mais uma descida e chegamos a base do elevador. Os grampos do elevador são bem afastados da rocha fazendo com que ou você bote os pés do grampo ou na rocha, se quiser botar nos dois tem que ficar de lado pro grampo, exigindo malabarismos seus e da sua cargueira. Como estávamos em 14 pessoas dividimos em pequenos grupos para subir, quando o segundo grupo nosso estava na metade começaram a descer inúmeras pessoas, o nosso grupo estava subindo e outro de número igual descendo. Deviam instalar um semáforo no elevador! hahaha

O jeito foi aguardar um pequeno grupo passar e subir um pequeno grupo, foi cansativo para alguns ter que achar uma área de escape e aguardar o movimento do outro grupo para poder evoluir. Vencido este trecho reagrupamos e partimos para uma rampa após o elevador que não é mencionada em relatos nem tracklogs, acho que pelo fato de ela só ficar complicada em dias de chuva. Após o elevador instalamos a corda em um grampo depois da recomendação de um guia logal, assim desceram todos e o último puxou a corda e seguiu.
É um trecho inclinado e que fica escorregadio quando chove, mas dizem que quando está seco se passa tranquilamente mesmo de cargueira.

Após o elevador o nosso grupo chegou ao mergulho. Neste trecho já estava ancorado e descendo um grupo de Minas Gerais Urbanos Trekking. Nesse momento unimos equipamentos e como estavamos em 29 pessoas somando os dois grupos dividimos a nossa corda para descer todas as cargueiras e a corda deles para descer as pessoas. O mergulho quando não está chovendo me dá a impressão que se pode fazer sem cordas com bastante calma e cuidado, mas com chuva... é um trecho com uma grande fenda perto da rocha e uma queda exposta de uns 10 metros, pode não matar mas é perigoso cair ali. Tivemos que passar mais de 1 hora ali nesse processo de passa uma cargueira, passa uma pessoa. Haviam meninas com frio, estava chovendo, ventava muito,  foi um ponto delicado para os nervos de todos. O que se pode fazer é desejar que o(a) seu(sua)) amigo(a) dê o seu melhor mantenha a tranquilidade e faça o que tem que fazer para todos saírem bem dali. É hora da razão prevalecer. Foram todos muito bem, alguns dos nossos foram amarrados às suas cargueiras para poder agilizar o processo dos demais. Ao mesmo tempo para todos fica evidente, na montanha quem manda é a natureza e ela estava falando pra gente "andem com calma, se ajudem".

Assim que desci fui direto ao Cavalinho para ver como estavam os membros da nossa equipe que foram na minha frente. O grupo misto dos nossos e dos mineiros foi se ajudando até chegar no abrigo do Sino. No trecho do cavalinho eu passei minha cargueira para um casal de Minas e subir eles seguiram e fiquei aguardando quem fosse chegar para ajudar e também seguir, para minha alegria eram os restantes do nosso grupo e já com nossos equipamentos e corda. Ou seja, a operação mergulho havia finalizado. Subimos o cavalinho e coice todos e fomos para o acampamento. O coice é uma mini chaminé ao meu ver, se você for pequeno pode subir como em uma chaminé, se for pernudo pode apoiar sua canela onde a mão esquerda apoia num primeiro movimento e subir, de cargueira é ruim de ser subido. Mais vale passar a cargueira antes.

Um detalhe legal desta travessia em relação à outras é o fato de poder se tomar um banho quente nos abrigos, bivacar ou dormir nos beliches, claro tudo com seu preço. Mas é um conforto que merece ser mencionado e que pode servir de incentivo para muitos conhecerem.  A chegada ao abrigo, janta, banho e sono foram recompensadoras. Depois de um dia desses que parecem uma semana você deita e fica refazendo cada escolha, repensando, o céu novamente estava estrelado. Se o dia amanhecesse aberto poderíamos ir ao mirante do inferno dar uma olhada na agulha do Diabo. Seria uma forma de fechar com chave de ouro.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, atividades ao ar livre e natureza

A imagem pode conter: montanha, céu, atividades ao ar livre, natureza e água
  • Quarto dia - Descida e Retorno

A mesma pegadinha ocorreu no último dia... para dormir céu estrelado ao acordar... nuvens vento e alguma chuva. Levantamos acampamento e rumamos para a descida. Aqui mantivemos um guiando de forma mais acelerada para o pelotão andar e um fecha trilha acompanhando quem quisesse ir mais lento. Os primeiros chegaram em 02:30 no começo da trilha, o segundo pelotão com 03 horas e pouco e os últimos perto das 04 horas. Ao todo estavamos todos às 11 horas na represa de Teresópolis.  Os motoristas entenderam que ligaríamos para falar que chegamos e na nossa visão e o combinado deveriam estar as 11 horas no Parque.
O fato é que 12:30 eles chegaram ao Parque, todos ficaram em média 01:30 aguardando os motoristas. Ao meu ver se você está numa cidade a trabalho e se as pessoas que você vai pegar estão a 3 dias no mato e você sabe que esteve chovendo nos últimos dias, eu pelo menos estaria muito mais cedo que o previsto pois a minha empatia diz que essas pessoas vão querer sair o quanto antes da chuva. Mas... isso fica de lição, resgate quando dá problema é bem chato, fica aí uma nota mental.

Ao todo tivemos um dia de pré trilha e logística, no primeiro dia de caminhada fizemos o ganho de elevação e tivemos uma ampla visão de toda a serra. No segundo dia chuva, pontos técnicos e delicados exigindo trabalho em equipe e atenção de todos. Terceiro dia de caminhada descida e retorno para casa.

A imagem pode conter: árvore, atividades ao ar livre e natureza



segunda-feira, 25 de abril de 2016

Serra fina em duas noites- 21 a 24 de Abril 2016

Pré Trilha

Embarcamos na manhã do dia 21 de Abril às 06:30 nos carros na expoville em Joinville em 3 carros com 3 pessoas em cada carro. Rumamos para o estacionamento em Curitiba onde deixaríamos os carros e uma Van nos levaria ao Refúgio Serra Fina, próximo á toca do lobo em Passa Quatro.

A viagem com a Van foi super tranquila e naquele clima de pré viagem, um misto de excitação, empolgação, alegria, dúvidas, certezas.

Na chegada em Passa Quatro, cidade onde fica o refúgio e início da trilha, fomos direto para o  centro da cidade para uma pizzaria chamada Seis e Meia. A pizza é boa mas para um rodízio... deixa a desejar, passam poucas fatias por mesa. Um indicador disso é que as crianças em todas as mesas dormiam esperando a pizza srrssrrs. Mas se diga de passagem muito boa a pizza e o clima de pré trilha, várias das mesas eram de trekkers pelos papos que se ouviam soltos pelo salão.

A estrada que ligava a estrada principal e o refúgio era cheia de pedras, descidas inclinadas, curvas fechadas e exigiram do motorista da van um bocado de perícia. Mas mesmo assim, a partir de certo ponto tivemos que caminhar e deixar a van ir leve para terminar o percurso. 

Ao chegar no refúgio houve um momento de fraqueza, devo confessar... o refúgio era tão acolhedor e aconchegante que ao saber o que me esperava nos próximos 3 dias eu pensei algumas vezes em por que motivo eu não ficaria no refúgio apenas olhando as montanhas e relaxando rsrsrs.



Primeiro dia

A noite de sono foi rápida e logo após um café da manhã descente estávamos adentrando a trilha para subir até o capim amarelo onde almoçamos. Saímos assim de 1400m aproximadamente para os 2400m do capim amarelo, onde assinamos o primeiro livro da travessia. Logo na entrada da trilha é hora de encher o cantil, pois o próximo ponto bom de água é no vale do Ruah no segundo dia. O trajeto até o capim é um clássico para quem curte montanhas e pensa como eu desde sempre em poder caminhar por sobre o cume das montanhas, é um êxtase, dá vontade de ficar andando naquele trajeto indo e voltando até conhecer cada pedra, cada ângulo, mas é preciso avançar!

Após almoçar no alto do capim amarelo tive a feliz surpresa de encontrar a Fernanda, uma amiga que iria fazer a travessia em uma noite apenas e passou deixando muita empolgação e energia à todos. Nada melhor do que ver alguém tão conhecedor e também humilde, é uma verdadeira aula só de conversar.

Ao se subir para o capim amarelo não temos a noção do quanto subimos, fato que vai ficando patente a cada vez que se avança na travessia onde esta subida fica em perfil, podendo ver os cumes e trechos de mata que tivemos de subir. Para mim a melhor vista é da Pedra da Mina deste acumulo de altimetria.

Depois do almoço, avançamos pelo camping Avançado (2296m) e Maracanã(2285m) onde estavam todos com barracas e tivemos de acampar num próximo ponto chamado Serra Fina, improvisamos local pois já haviam umas 8 barracas e nós estavamos em mais 8... foi uma noite mal dormida, molhada mas mesmo assim demos muitas risadas e fomos dormir muito animados. Na minha mente vinha apenas a gratidão de não ter chovido, de estarem todos bem e muito empolgado em acordar na próxima manhã e avançar até a pedra da mina o mais rápido possível.

Segundo dia

Acordamos e levantamos o acampamento mais molhado da travessia essa área de camping fica no meio de muita vegetação e a barraca ficou ensopada! Levantado o acampamento nos dirigimos ao Melano com seus 2496m e depois para a Divisa e depois Asa um pouco mais baixo, mas muito bonito. Atravessando o Asa avançamos até o lado direito da Pedra da Mina e iniciamos a subida. Ora por pedras ora por trilhas temos de subir 300m de ganho acumulado em poucos metros de distância é uma subida exigente. Em meia hora de subida estamos todos curtindo o auge da travessia que é estar sob o quarto ponto mais alto do Brasil com seus 2798m de altura, estavamos na Pedra da Mina. Neste momento a bolsa de um dos amigos rasgou, tivemos de improvisar uma costura com nylon e linha o que exigiu muita perícia de uma amiga que fez uma costura cirúrgica. Foi bom ter ocorrido isso nesse momento pois ainda havia a trilha do paiolinho para algum eventual plano B. Seria possível descer ainda e abortar, pois continuar por mais meia travessia com uma bolsa pendendo no ombro seria cruel para nosso amigo. Felizmente ele não teve que escolher pois a bolsa ficou boa, então, avante!

Após testar a costura da bolsa, comer e bater todas as fotos possíveis rumamos descer quase 300m até o Vale do Ruah. Senti vontade de rebatizá-lo como Vale do Luar, parece um local de outro planeta, muito lindo com vegetação diferente, areia, pedras, rio, Montes, enorme área de camping, área de atoleiro é um local onde sua visão não se concentra apenas em um ponto, aqui há uma ampla área para camping e também mais a frente o Rio verde conta com algumas quedas, onde se pode re-encher o cantil e mesmo até se refrescar se for o caso. Tem pontos em que as árvores que cresceram perto do curso do rio com um formato diferente parecendo mesmo brócolis gigantes, belos e diferentes.

Após passar o vale do Ruah subimos o Pico da Brecha (2568m), trecho em que olhando de longe pensamos que talvez seria contornado pela direita já que pela esquerda o Pico não tinha como ser contornado e pelo cume seria a forma mais desgastante. Mas já que estamos falando da serra fina é isso mesmo que a trilha faz, te leva pelos cumes! Raro momento de contornos ou caminhos em "S" serpenteando as trilhas.

De cima do Pico da Brecha se pode ver bem o Morro do Cupim do Boi (2530m) é um Morro com um formato diferenciado e bonito com uma espécie de degraus, onde no cume é bem estreito e chega a ter pontos perigosos de queda à direita. Neste dia acampamos antes do cume do Cupim do Boi em uma área com um lindo visual do pôr do sol, chegamos a tempo de observar esse fantástico fenômeno.

Ao anoitecer tínhamos nessa área de acampamento uma pedra ampla para cozinhar, o que foi muito bom. Sentamos todos juntos para cozinhar, comer e conversar. Ao escurecer uma das conversas foi sobre as constelações, um integrante tinha um laser que ia até uma infinidade de distância e conhecia várias curiosidades sobre as constelações. Logo o frio apertou mesmo, deve ter batido uns 7 graus e fazer um café foi necessário, logo mais dormir foi melhor do que na noite anterior. um lugar plano e o espírito leve de mais um dia de jornada e conexão com a natureza me fizeram dormir intensamente até ouvir o barulho de barracas no outro dia pela manhã.

Terceiro dia

A missão do terceiro dia era passar pelo cume do Cupim do Boi que tem à direita do seu cume o pouco frequentado Cabeça de Touro (2649m) e à esquerda a trilha passando por um vale e um bambuzal com 3 níveis de subidas para se chegar ao Pico dos 3 Estados (2656m). Ao caminhar pelo cume do Cupim, pode se olhar pra trás e avistar a Pedra da Mina e ao seu leste umas fendas enormes que descem uma considerável altitude, é uma visão marcante. O sol estava mostrando bem as fendas e a Pedra da Mina.

Esse trecho de subida ao Pico dos 3 Estados contem uns pontos de escalaminhada o que deixa o fato de se estar com uma cargueira pesada nas costas ainda mais divertida a brincadeira. Com 2hs de caminhada chegamos ao 3 estados onde relaxamos um pouco e batemos fotos, daí em diante teríamos uma trilha sinuoso e com relevos até a base do Pico Bandeirantes(2477m), onde uma de nossas amigas teve uma crise de cãibra. Momento delicado pois há um trecho de escalaminhada mais delicada do que na subida dos 3 Estados. Depois dessa subida andamos mais um trecho e subimos o Alto dos Ivos (2513m) nossa última subida.

Aqui fizemos já um lanche final e miramos o sítio do Pierre e começamos a descer foram 1100m de descidas feitas em 3,5h até o resgate que não pode nos pegar no sítio mas só na rodovia. Um ponto de atenção aqui é a trilha que abriram algumas sem continuidade. Outro ponto de atenção é uma bica d'água pouco antes de chegar ao sítio que não é em todas track logs que estão marcadas. 

Num resumo geral pegamos 3 dias lindos de sol, ganhamos altimetria no primeiro dia. Atacamos a Pedra da Mina no segundo e descemos no terceiro dia. O ponto mais crítico para mim na travessia é o fato de ter poucos pontos d'água, tem que se planejar muito bem com relação a isso e também a variação de temperatura quando pegamos 30 graus durante o dia e 5 à noite. Tirando isso é desafios e alegrias durante o tempo todo! É uma jornada élfica!









sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Rio de Janeiro

Fui ao Rio algumas vezes à trabalho e duas vezes a passeio. Como todo bom turista romantizava a cidade que como todas as demais tem coisas boas e coisas ruins. O Rio que os turistas tem no imaginário é a zona sul do Rio, onde estão Copacabana, Ipanema, Leblon, a lagoa Rodrigo de Freitas, Cristo Redentor e Urca. Quem mora lá pensa em Rio como um todo, zona norte, baixada, Tijuca, Recreio E zona sul. Eu conheci apenas o centro zona sul e oeste do rio (Barra da Tijuca, Recreio etc). O que ficou ainda no imaginário é ir à Restinga da Marambaia, algo para uma próxima ida. Em geral pelo menos nas minhas experiências o pessoal que atende ao público é entre prático e grosseiro, faça apenas as perguntas necessárias e tudo ficará bem.

Segue lista do que mais curti fazer no Rio:

  • Correr na Lagoa Rodrigo de Freitas, são 7,5km a volta completa e no por do sol é uma boa pedida.
  • Subir o Pico da Tijuca para ver o Rio lá de cima. Para chegar na trilha é afastado, por tanto ou táxi, carro alugado ou ônibus. A trilha tem 1,5km e é facilmente feita entre 30min e 1h.
  • Tomar um chopp na Lapa.
  • Subir ao Cristo Redentor indo pelo Parque Lage, trilha de uns 2 km, tem trecho com corda. Feita entre 1h e 1,5h. Vale muito a pena, quando fiz tinham até uns estrangeiros fazendo esta trilha.
  • Correr do Flamengo até a Urca, um trecho de 5km pela orla com uma vista belíssima do Pão de Açúcar.
  • Conhecer a praia da Barra da Tijuca, Macumba e Grumari. Não estão entre as mais badaladas entre turistas mas são super legais e bonitas. Se prepare para rodar pois são uns 80km ida e volta.

Dicas gastronômicas:
  • Almoçar na Confeitaria Colombo. Histórica confeitaria com arquitetura requintada e ótimos pratos.
  • Restaurante Delírio Tropical do Bernardinho, comida natural, bem servida e plantada por eles.
  • Angu do Gomes no centro, prédio antigo, comida boa, cerveja trincando! Não perca

Dicas de logística: 

- O metrô liga o Centro passando por Flamengo e terminando em Botafogo. Caso esteja no centro pegue um metrô até o Botafogo e de lá pegue um táxi para onde for passear, sai mais em conta do que andar de táxi o trajeto todo. 
- Um bairro "barato" para se ficar e tranquilo é o Flamengo, você gastará uns 20 reais de táxi para chegar à Copacabana.
- Caso você pouse no Galeão não pegue táxi ali para ir ao centro, existe um ônibus chamado "Frescão" que é mais em conta e leva ao centro e zona sul. Se o ônibus não passar exatamente onde você for ficar mas passa pelo centro e amplia as possibilidades.
Parque Lage com vista para o Cristo


Vista do Rio a partir do Pão de açúcar

Vista do Rio a partir do Pão de açúcar

Lapa, local bohemio

Conceição do Jacareí, onde saem as balsas para ilha Grande

Visão da zona norte do Rio a partir do Pico da Tijuca

Visão da Pedra da Gávea apartir do Pico da Tijuca




terça-feira, 7 de abril de 2015

Porto Alegre

Fiquei durante um ano a trabalho em Porto Alegre e conheci um pouco mais desta encantadora cidade. As pessoas são muito acessíveis e solícitas, o gaúcho é um sério brincalhão, piadista e provocador.Fiz boas amizades por lá.

Com relação a deslocamento,uma forma tranquila de se locomover do aeroporto ao centro é o trem. Para se deslocar dentro da cidade eu achei o táxi relativamente barato já que as distâncias que percorri não eram enormes (PS: se você for se deslocar para a Zona sul se prepare,pode ser caro de táxi e não há trem para lá.Neste caso pense em um ônibus).

No quesito segurança sempre procurei sair do cliente e ir de táxi ao Hotel para evitar surpresas, mas do que ouvi era mais perto da região do Porto que ocorriam delitos. Me sentia tranquilo para correr à noite por exemplo e o fiz em diversos pontos da cidade.

Para os que estão indo ao Rio Grande do Sul para conhecer as cidades serranas vale sim a pena reservar no mínimo dois dias para conhecer a capital do estado, é uma cidade com ampla oferta de gastronomia, parques, vida noturna e cultural pulsantes.

Abaixo fiz a minha lista de coisas preferidas para se fazer em Porto Alegre:

Culinária

- Ir ao mercado público conhecer o tempero local e produtos coloniais. Meu fascínio em toda e qualquer cidade que vou.
- Almoçar na cantina Santa Marta no shopping DC melhor molho de galeto do planeta
- ir no centro cultural Mario Quintana tem um restaurante no terraço que dá vista pra todo o centro, café santo de casa.
- jantar no ateliê das massas no centro, as massas são feitas por eles e é divina
- jantar no schop stubel o filé parmegiana com molho de nata (Rahmschnitzel)

Passeios

- ver o pôr do sol no guaíba
- caminhar pela feirinha da bric aos domingos na redenção
- correr no parcão
- tomar um chopp no Natalício um dos melhores botecos da cidade, peça uma coxinha
- bebemorar na cidade baixa, o boteco A virgem é um dos mais descolados
- correr do gasômetro até o estádio do inter
- conhecer a rua Gonçalo de carvalho, um túnel de árvores ao lado do shopping total
- para quem gosta de tennis vale uma passada no parque tenístico José Montaury

Passeios Guiados

- passeio de ônibus guiado pela zona sul, vai até as praias de belas e Ipanema e passa também pela área rural de Porto Alegre. O ponto final do passeio é no topo do Morro da Pedra Redonda para uma visão 360 graus da cidade e boa parte da área metropolitana. Em um dia de sol é uma ótima pedida, passeio de umas 4hs de duração.

- passeio guiado no centro, faz a linha entre o parcão e redenção passando pela área central e mercado público da cidade é um passeio rápido e pode ser feito em umas 2hs.



Abaixo algumas fotos tiradas e emprestadas

Boteco a virgem e seus desenhos psicodélicos

Boteco a virgem e seus desenhos psicodélicos

Por do sol Guaíba

Parcão

Teatro São Pedro

Por do sol Hotel Laghetto

Por do sol escritório

Padre Chagas, Dado Pub - Retirada da internet

Café do Santo de Casa- Retirada da internet

Redenção - Retirada da Internet



domingo, 14 de outubro de 2012

Bodo e Ilhas Lofoten 7 a 9 de Julho 2012

Eu peguei um trem de Trondheim às 22hs do dia 06 de Julho com destino a Bodo. Na viagem o meu amigo de poltrona era um senhor nativo das ilhas Lofoten mas que agora morava em Bodo, ele estava voltando da China e estava muito empolgado em falar tudo da viagem dele e também me dar umas dicas do que fazer nas ilhas já que ele tinha vivido a infância dele lá e segundo ele era o lugar mais lindo da Noruega.
A viagem até Bodo duraram 10 horas chegamos lá super cedo. O destaque das paisagens dessa viagem foi o céu que estava de diversas cores, vermelhos, laranja, cor de fogo, bati algumas fotos até, mas de dentro do trem não sai com a mesma qualidade.
Ao chegar em Bodo fui descobrir a melhor forma de se ir à ilha e dar um giro na cidade. Como o escritório de apoio aos turistas só abriria perto do almoço eu decidi ir explorar Bodo e almoçar. A cidade tem um pequeno cais, algumas lojas uma avenida que liga isso tudo a estação de trem e é isso. Fiquei no cais de boa olhando o mar e uma cadeia de montanhas enormes que se formavam ao leste, deviam ser nas ilhas Lofoten, eu fiquei pensando como faria pra ver o sol da meia noite: Será que virado para o continente daria certo? Ou tem que ser virado pro mar? Eu estava sem internet, sem sinal de celular, num cais no polo norte a uns 5000km de casa e estranhamente sentindo muita paz, estava muito tranquilo. Eu estava indo para um dos lugares mais bonitos que eu já havia ido e tinha consciência disso.
Perto do horário do almoço descobri que a melhor opção de ida a ilha era de bote, uma viagem de umas 4 horas mar a dentro. O retorno do bote seria as 13 da tarde eu chegaria às 17hs em Bodo, de onde pegaria um voo para Oslo e depois um trem para Estocolmo. Só que o meu voo para Oslo seria às 15 horas da tarde, ou seja, teria que bolar outra forma de voltar da ilha para Bodo. Eu acabei comprando um ticket de uma companhia local sairia da ilha às 14hs seriam 40 minutos de voo e assim eu chegaria a tempo da conexão para Oslo.
Embarquei às 17hs para as ilhas e fiquei impressionado com a quantidade de turistas e turistas locais, noruegueses o único turista do exterior era eu. Me senti compartilhando de algo que só eles sabiam, foi muito legal. Na viagem de ida fora a fantástica cadeia de montanhas, vimos também orcas! O bote desligou o motor e ficamos vendo várias Orcas passarem bem perto, eu tentei filmar mas elas nao voltam a superficie rapidamente então você fica 1 minuto para acompanhar uma Orca nadando, acho que elas estavam de boa, era verão né! Chegamos na ilha aproximadamente àas 23hs e claro ainda havia luz e sol mas não esqueça estava no polo norte logo, estavam 11 graus!
Fui ver o Hotel que escolhi pra ficar, já estava a 35 dias na estrada... me dei ao luxo de na ilha não ficar em cabanas e ficar num hotel na area central da ilha. Estava com muito pique ainda e saí pra andar pela ilha até a 1 da manhã.
No outro dia cedo, acabei comprando um pacote de passeio de lancha pela ilha, era uma volta completa a ilha para ver todas as montanhas, fiordes e fazendas de cultivo de bacalhau. É meio caro mas vale a pena, eu tinha a opção de fazer esse passeio ou subir uma montanha. Como os guias para a montanha nao estavam na ilha e só eu estava afim de fazer e é uma trilha bem arriscada eu resolvi passear de lancha, me pareceu mais sussa. Durante o passeio umas 4 vezes eu perguntei para o piloto da lancha: "Não tem mesmo como se jogar rapidinho na água?" e o cara "Olha está uns 10 graus a água... eu acho que você pode morrer se cair". De fato antes de começar o passeio todos tem que colocar uma roupa pesada e inviolavel, nao entra água nem vento nela  eu quase cozinhei pq apesar de estar frio a roupa era para -40 graus de temperatura e no momento estava apenas 9 hahahah! verão!
Depois do passeio não sei se foi a fome mas comi o melhor rango de toda a viagem, um macarrão com camarão e alcaparras... mas uns camarões deliciosos!! Nesta "noite" fiquei acordado até altas horas e o cenário era o mesmo, luz, sol leve, não anoitecia!!!
Antes de fazer check out no hotel eu perguntei quanto era um taxi para o aeroporto, sairia algo como uns 100 reais... perguntei quanto kms eram andando, eram 6km. Eu pensei assim com uma mochilona de uns 20kg nas costas eu devo andar a uns 5 a 6 km por hora então eu saindo daqui meio dia em ponto dá tempo e sobra pra fazer check in etc e pegar o voo.
Fui a pé! O trecho que vai ao aerporto não fazia parte das esstradas que havia andado antes, então foi muito legal conhecer outros pedaços da ilha ve-la de outro angulo. O detalhe é que não eram 6 mas mais 9 km a distância do hotel, eu acabei apanhando em uns morros... e cheguei no aeroporto às 01:40!! Faltavam 20 minutos para o vôo sair! Por quase não tenho que aprender norueguês de vez e virar pescador nas ilhas Lofoten hahahaha!
A vista da ilha de cima é indescritivel, a cor d'água do mar... as montanhas... o gelo... fiz um vídeo com as melhores fotos que bati e adicionei uma trilha sonora que achei que combinou com o que eu estava sentindo no momento, paz! Eu deixei o audio seguir até o fim da música e não botei imagens. Pra mim a intenção de fazer isso no vídeo foi passar que, apesar de ter que partir estas cenas sempre vão fazer parte de mim e que a viagem dentro mim nunca vai acabar!
Segue abaixo link para o vídeo

sábado, 13 de outubro de 2012

Trondheim 04 a 06 Julho de 2012

Peguei um voo de Bergen para ir a Trondheim, a escolha do voo e não o trem ou um onibus que seria mais barato foi o seguinte: eu queria ver os fiordes apartir do céu. Além do que, o trem não iria de Bergen para Trondheim direto teria que passar por Oslo e ficaria uma viagem de umas 10 horas...

A vista dos fiordes de cima foi chapante e tão empolgante que esqueci de bater fotos! hahahah
os outros tripulantes iam lendo jornal e falando entre si, é uma viagem corriqueira para os profissionais que circulam entre a segunda e a terceira maior cidades da Noruega, rápido, em 45 minutos estavamos no nosso destino. Apartir do aeroporto que fica numa cidade vizinha peguei um onibus para ir ao centro de Trondheim.

Chegando a cidade fui ver o hostel que tinha escolhido, estava com muita expectativa porque não tinham fotos no site do hostel e fui totalmente ás escuras... por ser barato e também a única opção de hostel na cidade eu estava era preocupado hahahha e no caminho já fui até olhando um ou outro hotel já nas proximidades no caso de decidir não ficar no Hostel.

No verão não ficam abertas as casas noturnas em Trondheim, as baladas pois a maioria do pessoal viaja em férias. Ao mesmo tempo as baladas precisam manter alguma forma de renda e ocorrem cursos de verão na prestigiada Universidade de Trondheim. A idéia dos caras do "hostel" foi essa, o hostel na verdade é uma balada, eles botaram varios biliches em uma das pistas da casa e o clima é assim non-sense e já que é pra dormir numa balada escolhi a minha cama logo é no lado do bar! hahahaha e deixei a minha mochilona no palco,cheguei chegando!

Esta pista principal fica no segundo piso do casarão antigo, no piso de baixo fica o lugar"udigrudis" onde toca rock e é a recepção deste hostel improvisado.

No andar que seria como um porão ficam os banheiros e pense ai você como é tomar banho em um banheiro de balada pequeno em que a unica diferença é que tem um chuveiro improvisado instalado e a água escorre mesmo por tudo e depois você tem que passar um pano e deixar tudo sequinho é claro. Não queria ninguém falando mal de brasileiro né hahahaha!

Sem dúvida o lugar é bonito, a situação é doida mas num geral legal, eu voltaria e mesmo recomendo que fiquem no Hostel, próximo a Catedral de Nidaros que fiquei e se possível vá no verão!!


A cidade tem uma área com casas de madeira antigas, semelhante ao brygge de Bergeb, muito bonita. A catedral de Nydaros é muito bonita, com detalhes que merecem sim que você sente e fique um bom tempo viajando e é também cheia de gente visitando. Por isso, durante a madrugada, quando ainda tinha luz e quando não tinha gente na rua, daí sim era o meu momento de sair pra passear. Em Tronhdeim eu troquei o dia pela noite, durante o dia eu ficava entocado no hostel relaxando e de noite quando a cidade estava quieta e ainda tinha luz (pois estavamos mais perto ainda do polo norte sendo assim no verão é sol 24hs).

Andei nesses horários todo o centro da cidade, a fortaleza, catedral, região antiga da cidade, foi bem psicodélico hahaha parecia uma cidade parada no tempo e só pra mim.

No dia 6 em que ia embora eu voltei aos horário normais e fui ao museu do folclore de Trondheim ver as casas antigas da região, foi muito legal e acho que é o melhor passeio pra se fazer na cidade.

Numa das conversas com o pessoal que atendia no hostel decidi ir as ilhas Lofoten que segundo muitos é o lugar mais lindo da Noruega. Seriam mais uma enorme viagem ao norte eu estaria já dentro da linha do polo norte.









sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Bergen 02 e 03 Julho de 2012

A chegada a Bergen foi no final de uma viagem de 10hs pelos Fiordes que ligam Oslo a Bergen. Eu estava numa pilha só mas não iria me desgastar para o outro dia, o único objetivo na primeira noite em Bergen era saber das atrações da cidade, como me locomover e onde eu iria dormir. Eu havia reservado o hostel Montana tendo como critério o maior número de avaliações boas dos mochileiros, também por ser um hostel com uma vista panorâmica da cidade e próximo a uma trilha que levava a maior das sete montanhas que circundam Bergen.

Por ter tantas montanhas ao redor dizem chove muito em Bergen, ao ponto de os moradores locais afirmarem que chovem 300 dias ao ano! O dia 03 de Julho em que estive lá foi um grande privilégio, teve sol!

Saindo da estação de trem uma mulher ucraniana (que só falava francês como segunda língua) me perguntou se eu iria para o centro de informações a turistas e que ela não queria andar por ai sozinha, eu até entendo alguma coisa de francês mas não falo quase nada... a coisa foi por mímica, um pouco de espanhol da minha parte, inglês algumas coisas ela entendia e francês algumas coisas eu entendia. Resumindo até a gente chegar lá eu ia falando bem devagar com ela em inglês e ela em francês comigo... se alguém ouvisse essa "conversa" iria parecer coisa de doido hahahaha!

No centro de informações aos turistas que fica na região portuária da cidade, perto do fish market já se tinha uma boa vista de Bergen e descobri em meia hora o que faria no outro dia, eu planejei fazer uma outra viagem menor de barco por outros fiordes e na volta correr para o hostel deixar as minhas coisas e ver o por do sol em cima da maior das sete montanhas, o Monte Ulrichen.

O hostel ficava na montanha e do porto era um bom trecho algo como uns 10km, eu fui de ônibus, Bergen em comparação com as outras cidades que passei é bem simples de se andar de onibus, todos os ônibus passam numa estação central e lá tinha que achar o ônibus em direção a Montana, que é o nome da região e também do hostel.

Cheguei ao hostel exausto, nem tive a pilha de ir ver a vista para a cidade. Fui direto pra cama, pois,  no outro dia teria um passeio e uma trilha pra fazer.
O passeio iniciava no porto de Bergen em um barco com um motor animal, que fez a gente se afastar rapidamente do cais e entrar nos fiordes, onde baixou a velocidade e para aumentar o clima de "estamos explorando a Noruega" botaram uma música propícia "In The Hall Of The Mountain King" de Edvard Grieg, esta música vai aumentando de volume e ficando cada vez mais rápida.

Neste trecho da viagem estávamos em uma reta entre dois Fiordes bem altos, mas eu lembrava que no final a música ficava acelerada ao extremo ficando quase caótica e neste momento fizemos uma curva para a esquerda e haviam fiordes ainda mais altos e de ambos os lados duas enormes quedas de águas.
Na hora em que chegamos perto das quedas esta música acabou e colocaram "Morning Mood" da peça Peer Gynt também de Edvard Grieg, é uma música mais contemplativa e tranquila, escolheram muito bem a trilha do final do passeio, neste momento a brincadeira que teve foi a de distribuírem copos de plástico e todos pegarem água para tomar direto da queda sem deixar o copo cair e sem se molhar.

Chegamos à parada para o almoço, ficamos uma hora lá e pegamos um ônibus para voltar pelas montanhas para Bergen, foi um passeio marcante esta volta. Eu conheci ainda no barco um casal de australianos que achei que deviam ter um filho da minha idade, pois a senhora sempre me perguntava se eu estava com frio ou com fome hehehhe e ficamos super amigos de viagem, batendo fotos e trocando dicas, fui saber que o Stewart e a Irene estavam na estrada a 2 meses com muita saudades de casa já e que realmente tinham filhos da minha idade, netos etc.

Quando descemos do passeio novamente em Bergen na hora da correria de sair pegar bolsa, câmera, ver como se chega ao hostel novamente etc eu perdi eles de vista, procurei ainda alguns minutos mas desisti eu tinha que subir uma montanha!

Fui voando para o Hostel e só peguei uma jaqueta leve, água e parti para a trilha 1 hora de caminhada e estava olhando Bergen lá de cima, fui abençoado por não chover neste dia e fiz valer a pena! Curti muito!

Desci o monte umas 20 horas sol alto ainda, meio querendo tomar um banho e jantar e também, ainda tinha o deck do hostel para ver o pôr-do-sol. Chegando ao hostel eu escolhi uma roupa para usar depois do banho, estava sozinho no meu quarto, foi umas das poucas vezes que fiquei sozinho em um hostel.

Ao abrir a porta para ir ao banheiro que ficava no final do corredor, uma enorme surpresa! O Stewart estava no quarto da minha frente!!! Rimos muito ao nos encontrar e combinamos de jantar todos juntos olhando o pôr do sol em Bergen. A Irene mega carinhosa nos fez chá o tempo todo e cozinhamos arroz, um bife cada um e uma salada, deixei as coisas irem no ritmo deles sem pressa, batendo papo, eu querendo saber mais deles e eles mais de mim.

Lá pelas tantas a Irene pediu para enviar um email para a filha dela, eu liguei o note ela tentou alguns minutos, tentou mais um pouco e olhou meio envergonhada e disse que não sabia como fazer, dai eu deixei ela enviar um email da minha conta pois ela não tinha conta de email. Só pedi pra ela explicar a filha que por mais estranho que fosse era a mãe dela que estava escrevendo e foi assim que até hoje mantenho contato com o Stewart e a Irene, pelo email da filha deles, muito hilário saber deles por uma terceira pessoa pois parece que se está lendo um livro sobre alguém que você conhece hehehehe.

A última coisa que soube é que estou intimado a ir o quanto antes a Melbourne porque segundo o Stewart "não se sabe quanto tempo os anfitriões podem esperar" piada pesada mesmo rsrsrsrs....o pôr do sol neste dia que conheci Stewart e Irene foi a meia noite e o papo estava muito bom! Depois do sol se por ainda ficou claro durante muito tempo.

No outro dia de passeios fui ao aquarium de Bergen pois estava um dia chuvoso, eu quase quase... apertei o F e subi denovo o monte Ulrichen mas achei que seria o único doido a fazer isso e deu um pouco de receio de virar manchete internacional hahahahaha!

Depois fui ao Brygen ver as casas de madeira e me perder pelas vielas do morro atrás do Brygen que levam até a parte mais antiga da cidade, onde se tem uma bela visão do porto. Bergen é uma cidade de porte médio 2 dias é honesto para conhecer o principal da cidade, mas das cidades que havia visitado até o momento foi a que mais tenho saudade, por estar tão perto dos fiordes, pelo raro dia de sol, pelo mercado de peixe (eu criado no litoral...) por subir o Monte Ulrichen. Certamente vou fazer novamente Oslo>Bergen!