- Primeiro dia - Logística Até o Hostel
Estavamos em 14 amigos do Grupo Cachorro do Mato para a travessia. Todos muito empolgados, o pessoal chegou pontualmente ao local combinado de coleta, assim que ajeitamos as coisas na van já partimos para uma viagem prevista pelo google maps numa média de 12hs. Como saímos às 6hs da manhã de Joinville o previsto seria chegar perto das 18hs se andassemos sem parar. Contando mais paradas etc estimamos como uma viagem de 14hs, chegando ao hostel próximo das 20hs. Uma surpresa aqui foi que o motorista estava abaixo da média prevista e isso nos aumentou em 01:30 a ida, chegamos ao Hostel 21:30.
A estrada de acesso à região do Parque nos causou estranheza, era bem estreita e mal iluminada, chegou a causar alguma apreensão em todos...
Bem cansados dessa logística, procuramos um local para nos abrigar, alguns lancharam e logo estavamos bivacando em uma grande área aberta, como se um galpão crioulo com o pé direito de uns 6 metros. A armação do telhado era feita de madeira tratada, esta estalagem tinha um ar rústico e ficava no sopé das montanhas da região. O meu sono pelo menos foi rápido e intenso, parece que cochilei alguns minutos, quando vi já estávamos todos acordados...

- Segundo dia - Caminhada até o Açú
Durante a noite esfriou um bom tanto, o café da manhã foi mediano, nada de muito espetacular, pelo menos o café estava bem quente. Ao terminar rapidamente empacotamos os itens finais e nos agrupamos na saída do Hostel para uma foto e partir para a caminhada. A partir do Hostel se via uma formação rochosa muito bonita que segundo o dono do Hostel tinha uma via de escalada, olhando para o mapa de referência da região e a nossa track feita, me dá a impressão de ser o pico do Mamute, à confirmar.
Partimos às 8hs da manhã, fizemos o check in no parque e em 40 minutos de caminhada estavamos na bifurcação para a cachoeira véu de noiva e gruta Getulio Vargas. Em torno de 30 minutos ocorreu visita no local e partimos para a próxima parada a Pedra do Queijo. O mirante estava neste momento limpo e pudemos ver desde o mamute até a Isabeloca em quase 360 graus de visão límpida das montanhas, foi encorajador! Dali mais uns 40 minutos estavamos no Ajax nesse momento fizemos uma pausa para tomar água e lanche rápido. Como estavamos em um grupo de 14 pessoas estavamos em dois membros conduzindo a caminhada um procurando dar mais fluidez ao grupo e puxando a caminhada e um segundo fechando a trilha para mantermos uma unidade, ninguém é deixado sozinho. Em torno de 1 hora de caminhada chegamos na Isabeloca, aqui foi o ponto de uma longa parada de mais de uma hora para lagartear olhando 360 graus com um forte e bem vindo vento. Revisitando a viagem esse foi o ponto alto em termos de visão, conforto e bom tempo. Dali até o abrigo Açu fomos em aproximadamente 30minutos, bem tranquilo.
Ao chegar no castelo a bela vista de chegada da formação rochosa nos faz relaxar e apenas pensar em montar acampamento e relaxar. Chegamos super cedo para armar acampamento, às 16hs da tarde todo o grupo já estava abrigado e procurando explorar cada vista possível. Subimos a pedra com corda que dá visão ao leste, pudemos dali ver Desde a Pedra do Sino até o Dedo de Deus e bem mais ao leste os Três Picos de Nova Friburgo. Até boa parte dos morros da capital carioca como Pão de Açucar, Arpoador, Tijuca estavam visíveis.
Neste momento pensei com uma pequena parte do grupo em fazer um ataque aos Portais de hércules, fomos desencorajados pelos zeladores do abrigo. Eles acharam que poderíamos ter problema ao navegar por lá correndo risco de escurecer etc. Revendo a viagem, acho que fizemos uma boa escolha no pôr do sol fomos ao mirante cruzeiro virado a Oeste, estava um show de luzes, porém com intervalos de nuvens. Esperamos assim pegar tempo bom nos Portais que é virado para leste e deveria ser melhor de observar o nascer do sol ou ele logo cedo.
Acampamos próximos de um grupo de senhores sul coreanos que andavam super bem, eles estavam com cargueiras mais leves mas não tiro o mérito andavam super bem e como se dava bem aquele grupo a todo momento berrando, brincando, cantando, orando alto, no por do sol que viram a cada mudança da tonalidade do sol eles falavam um uníssono "ohhhhhhhhhhhh!", realmente um show caminhar com gente animada assim.
Fomos dormir com o céu estrelado e apesar da previsão do tempo ser da entrada de uma frente fria essa noite estrelada me fez dormir com alguma esperança de ver um lindo amanhecer nos Portais.




- Terceiro dia - Caminhada até o Sino
O céu estrelado que vimos ao deitar se transformou com a chegada da frente fria. Durante a noite ainda ouvimos rajadas fortes de vento e alguma chuva. Desarmar acampamento com chuva é chato, você vai andar com coisas molhadas durante o dia todo e mesmo se não estiver chovendo ao armar o novo acampamento vc tem chance de ter umedecido ou molhado outros itens.
Desarmamos acampamento com tempo nublado e cara de chuva, bastante serração. Às 8hs da manhã começamos a caminhada em direção a Pedra do Sino.
Chegamos em aproximadamente 1 hora ao Morro do Marco e bifurcações para os Portais, o trecho do segundo dia num geral envolve bastante pedra e trechos de sobe desce. Como estava nublado a gente decidiu não entrar para os Portais.
Rumamos em direção a mais um vale e subida dessa vez ao morro da Luva. Depois desse trecho tem mais uma descida e chegamos a base do elevador. Os grampos do elevador são bem afastados da rocha fazendo com que ou você bote os pés do grampo ou na rocha, se quiser botar nos dois tem que ficar de lado pro grampo, exigindo malabarismos seus e da sua cargueira. Como estávamos em 14 pessoas dividimos em pequenos grupos para subir, quando o segundo grupo nosso estava na metade começaram a descer inúmeras pessoas, o nosso grupo estava subindo e outro de número igual descendo. Deviam instalar um semáforo no elevador! hahaha
O jeito foi aguardar um pequeno grupo passar e subir um pequeno grupo, foi cansativo para alguns ter que achar uma área de escape e aguardar o movimento do outro grupo para poder evoluir. Vencido este trecho reagrupamos e partimos para uma rampa após o elevador que não é mencionada em relatos nem tracklogs, acho que pelo fato de ela só ficar complicada em dias de chuva. Após o elevador instalamos a corda em um grampo depois da recomendação de um guia logal, assim desceram todos e o último puxou a corda e seguiu.
É um trecho inclinado e que fica escorregadio quando chove, mas dizem que quando está seco se passa tranquilamente mesmo de cargueira.
Após o elevador o nosso grupo chegou ao mergulho. Neste trecho já estava ancorado e descendo um grupo de Minas Gerais Urbanos Trekking. Nesse momento unimos equipamentos e como estavamos em 29 pessoas somando os dois grupos dividimos a nossa corda para descer todas as cargueiras e a corda deles para descer as pessoas. O mergulho quando não está chovendo me dá a impressão que se pode fazer sem cordas com bastante calma e cuidado, mas com chuva... é um trecho com uma grande fenda perto da rocha e uma queda exposta de uns 10 metros, pode não matar mas é perigoso cair ali. Tivemos que passar mais de 1 hora ali nesse processo de passa uma cargueira, passa uma pessoa. Haviam meninas com frio, estava chovendo, ventava muito, foi um ponto delicado para os nervos de todos. O que se pode fazer é desejar que o(a) seu(sua)) amigo(a) dê o seu melhor mantenha a tranquilidade e faça o que tem que fazer para todos saírem bem dali. É hora da razão prevalecer. Foram todos muito bem, alguns dos nossos foram amarrados às suas cargueiras para poder agilizar o processo dos demais. Ao mesmo tempo para todos fica evidente, na montanha quem manda é a natureza e ela estava falando pra gente "andem com calma, se ajudem".
Assim que desci fui direto ao Cavalinho para ver como estavam os membros da nossa equipe que foram na minha frente. O grupo misto dos nossos e dos mineiros foi se ajudando até chegar no abrigo do Sino. No trecho do cavalinho eu passei minha cargueira para um casal de Minas e subir eles seguiram e fiquei aguardando quem fosse chegar para ajudar e também seguir, para minha alegria eram os restantes do nosso grupo e já com nossos equipamentos e corda. Ou seja, a operação mergulho havia finalizado. Subimos o cavalinho e coice todos e fomos para o acampamento. O coice é uma mini chaminé ao meu ver, se você for pequeno pode subir como em uma chaminé, se for pernudo pode apoiar sua canela onde a mão esquerda apoia num primeiro movimento e subir, de cargueira é ruim de ser subido. Mais vale passar a cargueira antes.
Um detalhe legal desta travessia em relação à outras é o fato de poder se tomar um banho quente nos abrigos, bivacar ou dormir nos beliches, claro tudo com seu preço. Mas é um conforto que merece ser mencionado e que pode servir de incentivo para muitos conhecerem. A chegada ao abrigo, janta, banho e sono foram recompensadoras. Depois de um dia desses que parecem uma semana você deita e fica refazendo cada escolha, repensando, o céu novamente estava estrelado. Se o dia amanhecesse aberto poderíamos ir ao mirante do inferno dar uma olhada na agulha do Diabo. Seria uma forma de fechar com chave de ouro.



- Quarto dia - Descida e Retorno
A mesma pegadinha ocorreu no último dia... para dormir céu estrelado ao acordar... nuvens vento e alguma chuva. Levantamos acampamento e rumamos para a descida. Aqui mantivemos um guiando de forma mais acelerada para o pelotão andar e um fecha trilha acompanhando quem quisesse ir mais lento. Os primeiros chegaram em 02:30 no começo da trilha, o segundo pelotão com 03 horas e pouco e os últimos perto das 04 horas. Ao todo estavamos todos às 11 horas na represa de Teresópolis. Os motoristas entenderam que ligaríamos para falar que chegamos e na nossa visão e o combinado deveriam estar as 11 horas no Parque.
O fato é que 12:30 eles chegaram ao Parque, todos ficaram em média 01:30 aguardando os motoristas. Ao meu ver se você está numa cidade a trabalho e se as pessoas que você vai pegar estão a 3 dias no mato e você sabe que esteve chovendo nos últimos dias, eu pelo menos estaria muito mais cedo que o previsto pois a minha empatia diz que essas pessoas vão querer sair o quanto antes da chuva. Mas... isso fica de lição, resgate quando dá problema é bem chato, fica aí uma nota mental.
Ao todo tivemos um dia de pré trilha e logística, no primeiro dia de caminhada fizemos o ganho de elevação e tivemos uma ampla visão de toda a serra. No segundo dia chuva, pontos técnicos e delicados exigindo trabalho em equipe e atenção de todos. Terceiro dia de caminhada descida e retorno para casa.

