Pré Trilha
Embarcamos na manhã do dia 21 de Abril às 06:30 nos carros na expoville em Joinville em 3 carros com 3 pessoas em cada carro. Rumamos para o estacionamento em Curitiba onde deixaríamos os carros e uma Van nos levaria ao Refúgio Serra Fina, próximo á toca do lobo em Passa Quatro.
A viagem com a Van foi super tranquila e naquele clima de pré viagem, um misto de excitação, empolgação, alegria, dúvidas, certezas.
Na chegada em Passa Quatro, cidade onde fica o refúgio e início da trilha, fomos direto para o centro da cidade para uma pizzaria chamada Seis e Meia. A pizza é boa mas para um rodízio... deixa a desejar, passam poucas fatias por mesa. Um indicador disso é que as crianças em todas as mesas dormiam esperando a pizza srrssrrs. Mas se diga de passagem muito boa a pizza e o clima de pré trilha, várias das mesas eram de trekkers pelos papos que se ouviam soltos pelo salão.
A estrada que ligava a estrada principal e o refúgio era cheia de pedras, descidas inclinadas, curvas fechadas e exigiram do motorista da van um bocado de perícia. Mas mesmo assim, a partir de certo ponto tivemos que caminhar e deixar a van ir leve para terminar o percurso.
Ao chegar no refúgio houve um momento de fraqueza, devo confessar... o refúgio era tão acolhedor e aconchegante que ao saber o que me esperava nos próximos 3 dias eu pensei algumas vezes em por que motivo eu não ficaria no refúgio apenas olhando as montanhas e relaxando rsrsrs.
Primeiro dia
A noite de sono foi rápida e logo após um café da manhã descente estávamos adentrando a trilha para subir até o capim amarelo onde almoçamos. Saímos assim de 1400m aproximadamente para os 2400m do capim amarelo, onde assinamos o primeiro livro da travessia. Logo na entrada da trilha é hora de encher o cantil, pois o próximo ponto bom de água é no vale do Ruah no segundo dia. O trajeto até o capim é um clássico para quem curte montanhas e pensa como eu desde sempre em poder caminhar por sobre o cume das montanhas, é um êxtase, dá vontade de ficar andando naquele trajeto indo e voltando até conhecer cada pedra, cada ângulo, mas é preciso avançar!
Após almoçar no alto do capim amarelo tive a feliz surpresa de encontrar a Fernanda, uma amiga que iria fazer a travessia em uma noite apenas e passou deixando muita empolgação e energia à todos. Nada melhor do que ver alguém tão conhecedor e também humilde, é uma verdadeira aula só de conversar.
Ao se subir para o capim amarelo não temos a noção do quanto subimos, fato que vai ficando patente a cada vez que se avança na travessia onde esta subida fica em perfil, podendo ver os cumes e trechos de mata que tivemos de subir. Para mim a melhor vista é da Pedra da Mina deste acumulo de altimetria.
Depois do almoço, avançamos pelo camping Avançado (2296m) e Maracanã(2285m) onde estavam todos com barracas e tivemos de acampar num próximo ponto chamado Serra Fina, improvisamos local pois já haviam umas 8 barracas e nós estavamos em mais 8... foi uma noite mal dormida, molhada mas mesmo assim demos muitas risadas e fomos dormir muito animados. Na minha mente vinha apenas a gratidão de não ter chovido, de estarem todos bem e muito empolgado em acordar na próxima manhã e avançar até a pedra da mina o mais rápido possível.
Segundo dia
Acordamos e levantamos o acampamento mais molhado da travessia essa área de camping fica no meio de muita vegetação e a barraca ficou ensopada! Levantado o acampamento nos dirigimos ao Melano com seus 2496m e depois para a Divisa e depois Asa um pouco mais baixo, mas muito bonito. Atravessando o Asa avançamos até o lado direito da Pedra da Mina e iniciamos a subida. Ora por pedras ora por trilhas temos de subir 300m de ganho acumulado em poucos metros de distância é uma subida exigente. Em meia hora de subida estamos todos curtindo o auge da travessia que é estar sob o quarto ponto mais alto do Brasil com seus 2798m de altura, estavamos na Pedra da Mina. Neste momento a bolsa de um dos amigos rasgou, tivemos de improvisar uma costura com nylon e linha o que exigiu muita perícia de uma amiga que fez uma costura cirúrgica. Foi bom ter ocorrido isso nesse momento pois ainda havia a trilha do paiolinho para algum eventual plano B. Seria possível descer ainda e abortar, pois continuar por mais meia travessia com uma bolsa pendendo no ombro seria cruel para nosso amigo. Felizmente ele não teve que escolher pois a bolsa ficou boa, então, avante!
Após testar a costura da bolsa, comer e bater todas as fotos possíveis rumamos descer quase 300m até o Vale do Ruah. Senti vontade de rebatizá-lo como Vale do Luar, parece um local de outro planeta, muito lindo com vegetação diferente, areia, pedras, rio, Montes, enorme área de camping, área de atoleiro é um local onde sua visão não se concentra apenas em um ponto, aqui há uma ampla área para camping e também mais a frente o Rio verde conta com algumas quedas, onde se pode re-encher o cantil e mesmo até se refrescar se for o caso. Tem pontos em que as árvores que cresceram perto do curso do rio com um formato diferente parecendo mesmo brócolis gigantes, belos e diferentes.
Após passar o vale do Ruah subimos o Pico da Brecha (2568m), trecho em que olhando de longe pensamos que talvez seria contornado pela direita já que pela esquerda o Pico não tinha como ser contornado e pelo cume seria a forma mais desgastante. Mas já que estamos falando da serra fina é isso mesmo que a trilha faz, te leva pelos cumes! Raro momento de contornos ou caminhos em "S" serpenteando as trilhas.
De cima do Pico da Brecha se pode ver bem o Morro do Cupim do Boi (2530m) é um Morro com um formato diferenciado e bonito com uma espécie de degraus, onde no cume é bem estreito e chega a ter pontos perigosos de queda à direita. Neste dia acampamos antes do cume do Cupim do Boi em uma área com um lindo visual do pôr do sol, chegamos a tempo de observar esse fantástico fenômeno.
Ao anoitecer tínhamos nessa área de acampamento uma pedra ampla para cozinhar, o que foi muito bom. Sentamos todos juntos para cozinhar, comer e conversar. Ao escurecer uma das conversas foi sobre as constelações, um integrante tinha um laser que ia até uma infinidade de distância e conhecia várias curiosidades sobre as constelações. Logo o frio apertou mesmo, deve ter batido uns 7 graus e fazer um café foi necessário, logo mais dormir foi melhor do que na noite anterior. um lugar plano e o espírito leve de mais um dia de jornada e conexão com a natureza me fizeram dormir intensamente até ouvir o barulho de barracas no outro dia pela manhã.
Ao anoitecer tínhamos nessa área de acampamento uma pedra ampla para cozinhar, o que foi muito bom. Sentamos todos juntos para cozinhar, comer e conversar. Ao escurecer uma das conversas foi sobre as constelações, um integrante tinha um laser que ia até uma infinidade de distância e conhecia várias curiosidades sobre as constelações. Logo o frio apertou mesmo, deve ter batido uns 7 graus e fazer um café foi necessário, logo mais dormir foi melhor do que na noite anterior. um lugar plano e o espírito leve de mais um dia de jornada e conexão com a natureza me fizeram dormir intensamente até ouvir o barulho de barracas no outro dia pela manhã.
Terceiro dia
A missão do terceiro dia era passar pelo cume do Cupim do Boi que tem à direita do seu cume o pouco frequentado Cabeça de Touro (2649m) e à esquerda a trilha passando por um vale e um bambuzal com 3 níveis de subidas para se chegar ao Pico dos 3 Estados (2656m). Ao caminhar pelo cume do Cupim, pode se olhar pra trás e avistar a Pedra da Mina e ao seu leste umas fendas enormes que descem uma considerável altitude, é uma visão marcante. O sol estava mostrando bem as fendas e a Pedra da Mina.
Esse trecho de subida ao Pico dos 3 Estados contem uns pontos de escalaminhada o que deixa o fato de se estar com uma cargueira pesada nas costas ainda mais divertida a brincadeira. Com 2hs de caminhada chegamos ao 3 estados onde relaxamos um pouco e batemos fotos, daí em diante teríamos uma trilha sinuoso e com relevos até a base do Pico Bandeirantes(2477m), onde uma de nossas amigas teve uma crise de cãibra. Momento delicado pois há um trecho de escalaminhada mais delicada do que na subida dos 3 Estados. Depois dessa subida andamos mais um trecho e subimos o Alto dos Ivos (2513m) nossa última subida.
Aqui fizemos já um lanche final e miramos o sítio do Pierre e começamos a descer foram 1100m de descidas feitas em 3,5h até o resgate que não pode nos pegar no sítio mas só na rodovia. Um ponto de atenção aqui é a trilha que abriram algumas sem continuidade. Outro ponto de atenção é uma bica d'água pouco antes de chegar ao sítio que não é em todas track logs que estão marcadas.
Num resumo geral pegamos 3 dias lindos de sol, ganhamos altimetria no primeiro dia. Atacamos a Pedra da Mina no segundo e descemos no terceiro dia. O ponto mais crítico para mim na travessia é o fato de ter poucos pontos d'água, tem que se planejar muito bem com relação a isso e também a variação de temperatura quando pegamos 30 graus durante o dia e 5 à noite. Tirando isso é desafios e alegrias durante o tempo todo! É uma jornada élfica!







Parabéns, texto animal... da pra enxergar o lugar com teus olhos... os dogs estão crescendo... grande abraço!
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